segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Freesadnn EP [lo-fi hiphop]

O ócio me levou à isso:

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Ensaio assêmico I

Para Burroughs.

Narcisolipsistas, feticheios, narcomaníacos, esquizolépticos, afáticos se juntam no festim. Alguém diz: “Meu ânus está sangrando...” Um banquete sinestésico, o celeste fálico se desloca para o centro do aparelho cósmico-cômico-carmico-carnal. Carnaval dos vermes do idealismo circense – um legista forense com tendências semaníacas examinou um defunto inaudito. Imorais apátridas declaram delírios doravante incontestáveis, detestáveis; detenha-os Doutor. Um legista forense sêmico-cínico projeta-se pela janela do quadragésimo segundo andar-altar. Alguém exclama: “Meu ânus está sangrando! ” Um samba torto-triste-doentio martela nas montanhas. Yagé, hash, nicotina, barbitúrico, cloral, mescalina, calmante javanês – um símio senil acede um baseado – se afogou no afago da fata morgana; afeto fatal: Foda-se! Um alemão entediado esquarteja um inseto e chama isso de vida; um grego convence um leão a travestir-se de presa – e chama isso de vida. Enfermos lobotomizados vagam fanáticos por corredores fantásticos; efêmeros leprosos orbitam sua cama – ao acordar daquele terrível pesadelo, Will jamais fora o mesmo. Uma cimitarra amputa o braço de um darwinista... “F” de fado, falta, fauno, fala, fada, fama, flora, fábula, foco, fel, fio, fé. No vácuo, o nada reproduz. Conflito edipiano reprimido – alegoria: moscas transam no lava-louças. Pênis, caralho, pau, piroca, pica, cacete. Um psicanalista imagina deitar-se com sua mãe no divã. Um cego chora copiosamente pela morte de um transexual nazareno. Nicolau, Salvador, Joana, Baruch, Erzsébet e Sigmund se encontram no reino de Hades para posar uma pintura orgíaca de Bosch. O ego ora ociosamente à sorte de um animal lazarento. Um cientista ara as hortas da procriação. Um cieneasta abre as portas da percepção ...O filho de um darwinista nasce sem o braço – um irônico e sádico atavismo ideológico. Um filisteu pedante regurgita termos estranhos: “causa sui, hors concours, brainstorm, habeas corpus, avant-garde, das unbewusste, ad hominem, mise en scène”. Lama. Anima-Lama. Psicolama. Um amontoado de psicolama ansioso. Psicolama com complexo de inferioridade. Lama neurótica, psicótica, perversa. Psicolama fétida acumulada. Em um almoço nu, alguém desabrocha: “Meu terceiro olho rasgou. ”

" — Por favor, conservem a calma. São apenas alguns loucos que escapuliram do manicômio."

L.A. Fernandes



Asemic writing by David-Baptiste Chirot 

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Ensaio sobre o problema da música

Viver é buscar musicalidade. Música é panaceia, S.O.M.A., a pílula azul, gozo; sem ela não vivemos. Este é o verdadeiro fado do homem, viver em um mundo de música finita – não obstante, de infinitas melodias. É impulso primal, este desejo de canção; o buscamos em cada ação, cada pensamento, cada sonho, cada lapso. E cada gesto nosso, implica uma reação – e, por que não? Uma punição! Isto porque inebriar-se deste impulso é, entretanto, o mais censurado ato. E tudo o que a humanidade fez até aqui, mirou suprimir a música. Pura tolice – uma vez que a musicalidade a priori já realiza esta tarefa – a música tende a findar par excellence

          Com isso, podemos confabular um caminho curioso: vivemos de música, nosso prazer; mas esta nos escapa, é instável, inconstante e principalmente externa, isto é, independe do individual e, essencialmente, não pode ser forjada adentro. Assim, a grande saída da humanidade (“O Problema de Sócrates”) foi trancafiar a música – niilismo daqueles que “prefiram um nada seguro a um algo incerto para deitar e morrer”. Estabelecendo-se o silêncio como sagrado e mais alta virtude. Deste modo, o homem se viu livre desta busca agonizante. Ao menos assim lhe disseram...

          Esta “solução” insidiosa, no entanto, resultou, senão uma série de sintomas. E logo se alastrou uma perene histeria coletiva, pessoas vagavam pelas ruas desorientadas por uma melodia insinuante que lhes ressoava abafada em um canto obscuro da mente (vide epidemia de 1518). Assim, um novo – e mais severo – mal-estar impregnou-se sobre a civilização. O que tornou a moléstia mais austera do que no passado, foi o fato de havermos esquecido o que significava aquele som. Porquanto, acreditava-se que a música era, então, algo condenável – reprimido! Analogamente, criou-se – através do silêncio – uma resistência sobre nossa concupiscência musical. 

          O último-homem (o mais ressentido niilista) inferiu, afinal, que a sociedade abdicou a música, mas o indivíduo não. Era preciso atuar ativamente sobre a mente particular e seus respectivos desejos. O modo como se operou a situação foi o mais monstruoso – e paradoxalmente natural – possível: fixou-se o conceito (música igual mal) na supervisão interna, no panóptico pessoal que, ao mesmo tempo, regulava, vigiava e punia os impulsos à musicalidade de cada um.

          Finalmente, ecce homo: polido como se deve.

*****

É ilusório pensar que este é o fim. Trata-se do início: "Incipit tragoedia"! O declínio que nos levará a transcender – transvalorar. Se ao fundo ainda se ouve algum som, não temam a nenhuma proibição. Sendo a música o nosso alvo, e o silêncio a moral; que sejamos imorais! Assim vivemos. E se a música retorna amor fati, se ela finda, o mesmo. “Se já não tens felicidade a me dar – Vamos, ainda tens tua dor.”

*****

“(Meio-dia; momento da sombra mais curta; fim do equívoco mais longo; auge da humanidade; INCIPIT ZARATUSTRA.)”.

L.A. Fernandes



quinta-feira, 11 de maio de 2017

Ensaio auto analítico sobre Id e não Poder – ou “Nietzsche, Freud e Sócrates entram em um bar...”

As ideias vêm, vão e voltam; mas a impotência é a mesma. A vitória do Superego sobre o Superman. Quanto esforço é necessário para tornar-te quem tu és? Como saber se é o isso ou o ego falando? As ideias vêm e vão – isso é mais forte do que eu! Mas se penso, não falo, não faço, logo não existo, desisto... E se insisto, me vejo perdido entre a Vontade (de Potência) e a inabilidade que me estapeia a cara.

          A resposta: Conformismo ou esforço? Trabalho ou inércia? Negativo, Reativo, Passivo ou Ativo; de que adianta, se o pé não encontra chão onde pousar? Esforço compensa ignorância? O que vale mais: a intenção ou a atenção? Ser dedicado não significa ser hábil, tão pouco hábil significa ser sábio. (Ouço uma voz: “Eis que te apanho, niilista!”). As artimanhas da linguagem – velha embusteira! Me convêm, me confortam, me iludem a ponto de não querer mais ser o que tendo à me tonar; o que já sou agora, basta. O jogo de palavras, pois, é a expressão linguística da razão inadequada. 

          Detesto admitir que me entreguei... E apelei covardemente à retórica, o botão vermelho dos fracos. O Escravo transvestido de Senhor. Sou um anão na terra de gigantes, escalando seus membros montanhosos, fincando minhas garras em migalhas de Poder. Finalmente, no cume do colosso, a vista é melancólica; pois evidentemente nunca a conquistarei. A não ser que... Me atrevo? E se esta vista, que tanto seduz, não fosse a real? O segredo para ser o rei do mundo, é moldá-lo – por exemplo – do tamanho ideal para um anão e inconveniente para um gigante. Quanto mais gênios, menos gênios – o extraordinário ordinário. A verborragia é mascara, não aquela que cobre a cara, mas a cada momento fala – sem palavras... 

          Não me tente – exclamo ao superego – com esses valores superiores fantasmagóricos. O fato é que estou fraco, mas não sou escravo de ninguém (isto vale para você, Ego corrompido). A afirmação virá. Sim! Triunfante. Não obstante, não me resta apenas ambicionar esperançoso. É na guerra que se encontra a paz – existe o poder de curar mesmo no ferimento... AMOR FATI.


L.A. Fernandes



quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Retórica


– Hey, qual é o seu problema?

– O meu problema?

– Sim, o seu problema?

– E o que te faz achar que eu tenho algum problema?

– Ora essa, todo mundo tem problemas, por que você seria diferente?

– Pois justamente por isso, lhe digo que não há problema algum que seja meu.

– Como é?

– Veja bem. Ou um problema é grande demais e engloba à todos, sendo assim seria muito presunçoso chama-lo de meu problema; ou é tão pequeno (comparado à problemas gerais) que seria injusto e mesquinho da minha parte classificá-lo como um problema de verdade.

– Ai, o que há de errado com você?

– Por que errado comigo? Se algo está errado, está errado com tudo e todos. Taxar erros individuais só vai gerar marginalização e ferir nossa democracia. Aliás... Essa questão nem faz sentido uma vez que conceitos como certo e errado dependem basicamente de paradigmas culturais específicos e distintos. Tudo é relativo...

– Puta que pariu! Cale a boca, eu não gosto de quando você fica filosofando com qualquer coisa que eu te falo.

– Ah, mas isso já é um problema seu...